A era "Pré-LABRE"
A história da LABRE em Pernambuco está diretamente ligada ao próprio surgimento do radioamadorismo no Estado. Muito antes da criação da entidade nacional, Recife já possuía uma comunidade de "experimentadores de rádio". Há referências a "amadores da radiotelegrafia" em Pernambuco ainda na década de 1910 e, em 1919, o estatuto do Rádio Club de Pernambuco empregava expressamente a palavra “radioamadores”, prevendo inclusive a defesa de seus interesses e a regulamentação de suas estações.
Com a regulamentação federal das “estações de amadores” pelo Decreto nº 16.657, de 5 de novembro de 1924, essa atividade experimental começou a adquirir forma jurídica. Nos anos imediatamente seguintes aparecem os primeiros radioamadores pernambucanos com indicativos oficialmente documentados. Entre eles estavam Tito de Araujo Firmo Xavier, BZ5AA; João Cardoso Ayres Filho, BZ5AB; Severiano de Mendonça, BZ5AC; e Humberto Andrade de Oliveira, BZ5AD. Uma relação histórica informa que, em junho de 1927, Pernambuco já possuía cinco radioamadores, em um universo de apenas 94 registrados em todo o país.


A LABRE Nacional nasceu em 2 de fevereiro de 1934, da união da Liga de Amadores Brasileiros de Rádio-Emissão, de São Paulo, com a Rede Brasileira de Radioamadores, do Rio de Janeiro — origem que a própria imprensa pernambucana registraria alguns anos depois.
A LABRE em Pernambuco
A primeira presença documental da LABRE em Pernambuco que localizamos remonta a 1935, tendo como personagem central Antônio Augusto Caldas, então PY5AG e posteriormente PY7AG. Caldas, radiotécnico profissional do Departamento dos Correios e Telégrafos, tornou-se uma das figuras fundamentais da implantação da representação da LABRE no Estado. Em 1939 ele já aparece inequivocamente na imprensa como delegado da LABRE na 7ª Região.
Essa distinção é importante: não existia ainda a pessoa jurídica “LABRE-PE”, mas já havia uma representação regional da LABRE Nacional funcionando em Pernambuco por meio de sua Delegacia.
Nos primeiros anos da década de 1940 a estrutura tornou-se cada vez mais organizada. Antônio Augusto Caldas, PY7AG aparece como delegado e João Batista de Carvalho, PY7AJ, como vice-delegado. Posteriormente João Batista assumiria a representação, sendo documentado como delegado entre 1943 e 1946; outros dirigentes regionais se sucederiam, entre eles Joaquim de Sousa Netto, PY7AY, além de Gersino de Pontes, Mario Pena, PY7AE, e, já em 1952, Padre Francisco Tavares de Bragança, PY7FA. A reconstrução dessas gestões ainda está sendo refinada documentalmente.
A LABRE e o DCT
Um dos marcos mais significativos dessa primeira fase ocorreu em 15 de março de 1942. O Departamento dos Correios e Telégrafos (DCT) cedeu formalmente uma sala no edifício do Telégrafo Nacional, no Recife, para uso dos radioamadores e da representação da LABRE em Pernambuco.



https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=800643&pagfis=66990
A solenidade contou com o Diretor Regional dos Correios e Telégrafos, José Pinto, além de autoridades civis e militares. Antônio Augusto Caldas, PY7AG estava presente como delegado da LABRE e João Batista de Carvalho, PY7AJ como vice-delegado. Depois da cerimônia, aproximadamente 60 pessoas participaram de um almoço de confraternização no Horto de Dois Irmãos.
Esse episódio é especialmente importante porque demonstra que a presença da LABRE no prédio dos Correios não começou nas décadas de 1960 ou 1970: sua origem documental remonta pelo menos a 1942. Décadas depois ainda encontramos a Diretoria Seccional funcionando no 2º andar do Edifício dos Correios e Telégrafos, evidenciando uma relação institucional muito duradoura entre a LABRE pernambucana e o DCT.
Em 1943 a imprensa registra também a inauguração da sede da Delegacia da LABRE e atividades como cursos de telegrafia, demonstrando que a entidade não se limitava à representação burocrática, mas exercia atividades de formação e congregação dos radioamadores.
Durante as décadas seguintes a organização se consolidou. Em 1946 e 1947 há registros de eleições para delegado, subdelegado e representação da 7ª Região, assim como da participação pernambucana nas convenções nacionais da LABRE. Em 1955, uma notícia estimava a existência de aproximadamente 250 radioamadores em Pernambuco.
É importante, entretanto, manter uma distinção que nossa pesquisa tornou clara: LABRE-PE e Casa do Radioamador de Pernambuco — CRAPE — não eram a mesma entidade. Houve intensa cooperação entre ambas e vários personagens participaram dos dois ambientes, mas suas histórias institucionais não devem ser fundidas. Um exemplo dessa convivência ocorreu em 1971, quando a I Concentração Nacional de Radioamadores em Pernambuco, promovida pela LABRE e pela Rede Nacional de Radioamadores, foi realizada justamente na sede da CRAPE.
Da Delegacia à Seção Estadual da LABRE-PE
A transformação jurídica decisiva ocorreu em 11 de janeiro de 1967. Nessa data foi registrado no 1º Registro de Títulos e Documentos e Registro Civil de Pessoas Jurídicas do Recife o Estatuto da Seção Estadual da Liga de Amadores Brasileiros de Rádio Emissão em Pernambuco, sob o nº de ordem 63.033, Livro A-16, nº 1.226. O estatuto definiu a entidade pernambucana como sociedade civil de âmbito estadual, vinculada à LABRE-Central, mas dotada de personalidade jurídica própria e autonomia administrativa.
Portanto, a formulação que consideramos historicamente mais correta é:
A representação da LABRE em Pernambuco existe documentalmente desde a década de 1930; a atual pessoa jurídica estadual foi formalmente constituída e registrada em 1967.
Antes mesmo dessa formalização, a representação pernambucana já tinha dimensão expressiva. Em 1963, Wilson Alves de Oliveira aparece como Diretor da Seccional e uma reportagem registra a participação de aproximadamente 360 radioamadores pernambucanos em competição nacional. No mesmo ano, Recife recebeu a reunião anual do Conselho Federal da LABRE.
Nas décadas seguintes aparecem, entre outros dirigentes, Fernando Falcão, PY7NR, no início dos anos 1970; Ivanildo de Figueiredo Andrade Oliveira, até 1980; e Fernando Monteiro, PY7AKO, naquele mesmo ano. A documentação também revela a expansão da estrutura para o interior, inclusive com uma Seccional da LABRE em Caruaru.
Em 28 de novembro de 1973 foi aberto o CNPJ nº 09.962.507/0001-09, sob a denominação Federação Pernambucana de Radioamadorismo – LABRE-PE. Esse cadastro fiscal seria utilizado pela entidade durante décadas.
Em 1980, o Diário de Pernambuco apresentou João Paulo da Cruz, PY7AB, como o “primeiro radioamador de Pernambuco”, reproduzindo sua lembrança de que teria obtido inicialmente PY7AA e, em 24 de agosto de 1935, PY7AB. Hoje, entretanto, sabemos por fontes contemporâneas que já existiam radioamadores pernambucanos licenciados com indicativos BZ na década anterior. Assim, João Paulo da Cruz permanece personagem importante da história estadual, mas a afirmação de que teria sido o primeiro deve ser entendida como uma tradição retrospectiva, e não como conclusão documental definitiva.

https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=029033_16&pagfis=14392
Nas décadas de 1980, 1990 e 2000, a LABRE-PE continuou representando institucionalmente os radioamadores pernambucanos, mantendo atividades administrativas, técnicas, associativas e de serviço à comunidade. Entre os dirigentes já identificados documentalmente aparecem Adonias Gomes do Monte, PY7JJ, na década de 1990, e, a partir de 2001, José Luiz Albuquerque Maranhão, PY7ALM, que ocupou sucessivos mandatos. A documentação de 2001–2002 permite inclusive reconstruir boa parte da composição do Conselho Estadual daquela época.
O encerramento das atividades em 2015
Nos últimos anos dessa fase histórica, a documentação identifica José Manuel Nascimento, PY7JN, como presidente, e Ricardo Lisboa Lyra, PY7RL, como presidente do Conselho.
O marco institucional que estamos adotando para o efetivo encerramento daquela fase é 20 de outubro de 2015, data da comunicação dirigida à LABRE Nacional informando o encerramento das atividades da representação pernambucana. A partir daí iniciou-se um prolongado período de inatividade administrativa, encerrando, na prática, um ciclo institucional cuja presença em Pernambuco remontava aos anos 1930 e cuja personalidade jurídica estadual havia sido formalizada em 1967.
A retomada em 2026!
Após a interrupção de suas atividades de representação institucional em 2015, a LABRE-PE passou por um período de inatividade. Em 2023, a LABRE Nacional designou o radioamador Haroldo Bradaschia Neto, PY7DJ, como seu delegado em Pernambuco, restabelecendo um elo de representação da entidade no estado.
Em 2025, Haroldo e Renner Pedroza, PY7RP, decidiram unir esforços para retomar as atividades institucionais da LABRE-PE. Essa iniciativa abriu um novo capítulo em uma história construída ao longo de décadas, dando continuidade ao trabalho de todos aqueles que dedicaram tempo, conhecimento e esforço ao desenvolvimento do radioamadorismo pernambucano.


A retomada trouxe consigo o propósito de construir uma LABRE-PE moderna, participativa e próxima dos radioamadores pernambucanos. A representação dos associados, a promoção do radioamadorismo, o apoio a iniciativas técnicas e operacionais e a formação de novas gerações passaram a orientar essa nova etapa da instituição.
A LABRE-PE é patrimônio de todos os radioamadores pernambucanos que acreditam na importância de uma representação organizada, atuante e comprometida com o futuro do radioamadorismo!